
Em 1999, na bela ilha grega de Kalokairi, a menina Sophie está prestes a se casar quando resolve enviar três convites da cerimônia para três homens: Sam Carmichael, Bill Anderson e Harry Bright. Acreditando que um deles é seu pai. De diferentes partes do mundo, os três resolvem voltar à ilha e à mulher por quem se apaixonaram vinte anos atrás. Quando chegam, a mãe de Sophie, Donna, se surpreende ao ficar cara-a-cara com os ex-namorados que nunca conseguiu esquecer. E, enquanto eles inventam desculpas por estar ali, ela se pergunta qual deles é, realmente, o pai de Sophie. Com este cenário a confusão está armada e a diversão é garantida, em especial com as amigas de Donna que vieram para o casamento.
Sobre o filme: Como o musical da Broadway, “Mamma Mia!” é brega. E não tem outro adjetivo melhor para descrever o filme. Da purpurina que forma as letras do título às roupas vibrantes usadas pelos atores ao final dos créditos, tudo é condizente com ABBA e o espírito dos anos 70. Isso não faz do longa-metragem uma obra ruim ou medíocre.
A evidência é que o drama de uma jovem que não conhece o pai é, definitivamente, brega. A antecipação da separação de mãe e filha com a chegada de um casamento é igualmente brega. O amor, por fim, é brega. E muito. O que torna ABBA tão brega é colocar em frases arrebatadoras todos os sentimentos que evocam essas situações e unir essas letras e melodias a uma trama divertida é a genialidade do musical.
Muitos irão torcer o nariz para os momentos em que um coro de coadjuvantes gregos entram em cena para manipular as situações e coreografar as canções. Esse é um dos detalhes que extrapolam no espírito cafona, mas não chega a atrapalhar, pois são propostas diferentes para causar a mesma sensação. Nos palcos, os atores cantando ao vivo, o barulho dos alto-falantes e o envolvimento dos astros com a platéia provocam no espectador a vontade de levantar da cadeira e se juntar ao elenco. No cinema, a solução é colocar em cena o maior número de pessoas envolvidas em uma música.
As coadjuvantes Walters e Baranski são mais interessantes do que Amanda Seyfried e suas amigas. Encantadoras, as duas captam o espírito jovem como as outras que, talvez por falta de experiência, não conseguem. Seyfried é verossímil como uma jovem ingênua e infantil, mas falha nas cenas dramáticas.

O elenco não deixa nada a desejar. Muito embora Pierce Brosnan tenha uma voz ruim e não consiga coordenar suas expressões com os versos das músicas, o charme irlandês é suficiente para tornar Sam um personagem absolutamente irresistível. A química entre ele e Meryl Streep não é nada forçada.
Talentoso no geral, o elenco possui ainda a vantagem de proclamar com vontade os versos de ABBA em frente a um cenário magnífico de águas turquesas e paisagens de tirar o fôlego. A fotografia do filme valoriza a beleza da Grécia e torna o ambiente um aliado à trama.
“Mamma Mia!” pode não ser um retorno aos musicais clássicos dos anos 50, mas tampouco tem essa aspiração. O filme, entretanto, possui a mesma essência de todos os grandes sucessos e provoca no espectador a vontade de participar dos momentos em cena. Aos que tiverem a ousadia de se render à música, fica a proposta ao final dos créditos.
Dê uma espiadinha e tente resistir a contagiante energia de MAMMA MIA!
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